|
Documentos
Reunião 25/04/2002
O GT da Agenda 21 se reuniu em Brasília, nos dias 23 e 24 de abril
de 2002, com o objetivo de discutir a Agenda 21 Brasileira e o seu
processo de elaboração. Após análise e discussão foram feitas as
seguintes considerações:
a) A elaboração e a implementação da Agenda 21 Brasileira não pode
ficar subordinada apenas à lógica econômica, já que foi essa lógica
que nos colocou na crise político-sócio-cultural-ambiental em que
nos encontramos. Dessa forma, se torna imprescindível a inversão
processual de prioridades, recolocando como princípios valores
centrados na ética da vida e na sustentabilidade ampliada.
b) O argumento recorrente da falta de recursos financeiros não deve
ser considerado, pois os recursos existem, mas não são usados com
base na visão de desenvolvimento sustentável. Além disso , não há
uma sistemática de um controle social organizado dos destinos e
critérios de distribuição desses recursos. Portanto, a Agenda 21
Brasileira deve ser base para o programa de governo e definição do
orçamento da União.
c) A participação da sociedade civil no processo de elaboração da
Agenda 21 Brasileira foi realizada com muito esforço por parte das
ONGs e movimentos sociais. Este processo de participação poderia ter
sido mais amplo, se continuássemos com o apoio necessário por parte
do governo.
d) A agenda 21 Brasileira deve contemplar todo o processo e
resultados obtidos durante sua realização, desde os documentos
temáticos, o documento Bases para Discussão até os relatórios de
consultas estaduais e regionais.
e ) As parcerias entre Estado, sociedade organizada e empresas devem
ocorrer com transparência e cada um deve realizar a sua parte sem
eua responsabilidade.
f) entendendo que a implementação da Agenda 21 Brasileira não será
de forma planificada no tempo e no espaço, consideramos fundamental
o estabelecimento de ações prioritárias em um documento denominado e
Agenda de Prioridades, o qual deve ser parte integrante da Agenda 21
Brasileira.
g) Essas ações prioritárias devem apresentar: 1. objetivos, 2. metas
quantificáveis e qualificáveis, 3. responsabilidades, 4. bases
legais, 5. fontes de financiamento.
h) O foco das ações prioritárias deve ser a erradicação da pobreza
por meio de desenvolvimento local e sustentável e fortalecimento das
instâncias locais, onde os 6 eixos temáticos perpassem-na
transversalmente. Além disso, é preciso ressaltar que este processo
deve estar pautado pelo equilíbrio ambiental e no desenvolvimento
nacional e global.
i) a linguagem dos documentos finais deve ser de fácil compreensão,
para permitir o entendimento e o comprometimento da população
brasileira.
j) Deve ser promovido um encontro multi-setorial para análise e
aprovação dos documentos finais: Agenda 21 Brasileira e sua Agenda
de Prioridades.
Sugerimos como ações prioritárias a serem realizadas até 2012, que
devem ser inseridas na Agenda de Prioridades da Agenda 21
Brasileira:
1. Implantar Programa Nacional de Elaboração e Implementação de
Agendas 21 Locais
Objetivo: induzir o desenvolvimento sustentável participativo nos
municípios.
Meta: 90% dos municípios com Agenda 21 implantada até 2012.
Responsabilidades: MMA, CPDS, sociedade civil organizada, empresas.
Financiamento: FNMA, empresas e outros fundos e fontes financeiras
públicas e privadas.
2. Divulgação massiva e acessível compreensão popular da Agenda 21
Brasileira.
Estratégia: organizar atividades de capacitação específicas em toda
a rede de ensino (fundamental, médio e superior) para divulgação da
Agenda 21 e sua assimilação adequada.
3. Aumentar a participação dos municípios na receita tributária
nacional, elevando de cerca de 16% para 30%.
4. Adoção de um índice de desenvolvimento sustentável anual para o
Brasil, para as regiões e para os municípios.
Estratégia: Esse índice deve ser elaborado com a participação dos
diferentes segmentos da população brasileira.
5. Criar um programa nacional de educação para a sustentabilidade.
Meta 1: Avaliar e transformar os currículos dos diferentes níveis de
ensino.
Meta 2: Formar agentes multiplicadores nos diferentes setores
(sociedade civil, governo e empresas). Meta 3: Capacitar lideranças.
6. Em cada um dos biomas nacionais, estudar e avaliar a
possibilidade de transformação de áreas prioritárias para proteção
em unidades de conservação, considerando as diferentes dimensões do
desenvolvimento sustentável.
Estratégia 1: Adoção do Desmatamento Zero nos ecossitemas ameaçados.
Estratégia 2: Adoção de técnicas agro-florestais para recuperação de
áreas degradadas, em consonância com os agricultores e outros atores
envolvidos.
7. Promover medidas que aumentem a capacidade de compreensão da
população brasileira em todas as questões do desenvolvimento
sustentável, especialmente sobre as questões tributária, fiscal e
orçamentária.
8. Destinar uma cota do PIB do Brasil para implementar as ações da
Agenda 21 Brasileira.
9. Criar mecanismos de compensação financeira para subsidiar a
população diretamente envolvida com áreas relevantes do patrimônio
ambiental ou da diversidade sócio-cultural-ambiental-ecológica
brasileira (CSA- Compensação por Serviços Ambientais,
protetor-recebedor, usuário-pagador).
10. Promover e incentivar meios de controle social organizado nas
políticas públicas, nas dívidas interna e externa, na arrecadação e
distribuição dos tributos.
11. Promover e incentivar meios de controle social organizado na
atuação de empresas que prestam serviços públicos.
Objetivo 1: garantir o acesso, a qualidade e tarifas adequadas dos
serviços públicos privatizados a toda a população brasileira.
Objetivos 2: Promover e incentivar meios de controle social
organizado sobre esses serviços, como instâncias de participação
popular nos espaços de gestão compartilhadas das agências
regulatórias.
12. Garantir aos brasileiros o acesso à água e ao saneamento básico
como fundamento à vida.
Objetivo 1: Definir democratização do acesso à água como foco na
gestão dos recursos hídricos.
Objetivo 2: Garantir o acesso à água e ao saneamento básico com
qualidade e tarifas adequadas a toda população brasileira, conforme
já adotado na Conferência de Bonn em dezembro de 2001.
Meta: Priorizar os municípios com IDH abaixo das médias regionais,
visando oferecer água com qualidade e saneamento básico em 100%
destes municípios, até 2012. |